Mico-leão-da-cara-dourada nas Cabrucas

Confira! EIA/RIMA disponível para consulta no site da Vale
16 de setembro de 2020

Em 2005, a última Análise de Viabilidade Populacional e de Habitat (Population and Habitat Viability Analysis PHVA) para as quatro espécies de micos-leões, apontou como uma das prioridades de conservação para a espécie mico-leão-da-cara-dourada, Leontopithecus chrysomelas, espécie ameaçada e endêmica da Mata Atlântica, avaliar se e como os micos utilizavam o sistema agroflorestal de cacau sombreado conhecido localmente por cabruca.

A cabruca é a vegetação predominante na parte leste da de sua distribuição geográfica e vem sendo ameaçada, assim como toda biodiversidade que usa ou depende dela, devido ‘a práticas de manejo adotadas para aumentar a produtividade de cacau na região.

Começava aí o projeto de doutorado do Dr. Leonardo C Oliveira voltado a responder tal prioridade. Os resultados de seu doutorado mostraram que o mico-leão-da-cara-dourada é capaz de viver usando exclusivamente cabrucas, contrariando o que era esperado para a espécie.

Entretanto, cabrucas variam bastante com relação à riqueza, composição e densidade de espécies arbóreas, o que pode afetar a disponibilidade de recursos para os micos-leões-da-cara-dourada e consequentemente levar a alterações em parâmetros biológicos e ecológicos da espécie, podendo até mesmo determinar a presença de micos-leões nestas áreas.

O objetivo dessa pesquisa identificar se existe alguma (s) característica (s) estruturais das cabrucas que podem ser preditivas para a ocorrência dos micos-leões nessas. Dessa forma, será avaliada a presença e potencial ausência dos micos-leões em diferentes áreas de cabruca através de entrevistas e playbacks.

A composição estrutural (ex.: número de árvores/ha, identidade das espécies, etc.) de cabrucas com e sem micos-leões será investigada para avaliar se existe alguma (s) característica (s) da cabruca que possa ser usada para prever a presença ou explicar possível ausência dos micos-leões nestas áreas. Estas características, se identificadas, serão propostas para serem parte dos requerimentos mínimos necessários para a obtenção da certificação de cacau amigo da biodiversidade, que vem sendo produzido a nível mundial.

Outros parâmetros como produtividade de cacau e estoque de carbono serão medidos para tentar incorporar ainda mais valor ao cacau produzido na região da Bahia.

Com um cacau mais valorizado, devido à certificação, torna-se mais fácil para os produtores manterem suas propriedades de forma econômica e ecologicamente viáveis, o que afetará positivamente a biodiversidade e a qualidade de vida da comunidade local.

O objetivo proposto neste projeto é uma ação prevista no do Plano de Ação Nacional para a Conservação dos Mamíferos da Mata Atlântica Central – PAN-MAMAC e pode beneficiar direta ou indiretamente pelo menos seis das 27 espécies cobertas no plano.

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